segunda-feira, 23 de junho de 2014

“O modelo dos modelos”

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     Houve na vida do senhor Palomar uma época em que sua regra era esta: primeiro, construir um modelo na mente, o mais perfeito, lógico, geométrico possível; segundo, verificar se tal modelo se adapta aos casos práticos observáveis na experiência; terceiro, proceder às correções necessárias para que modelo e realidade coincidam. [..] Mas se por um instante ele deixava de fixar a harmoniosa figura geométrica desenhada no céu dos modelos ideais, saltava a seus olhos uma paisagem humana em que a monstruosidade e os desastres não eram de todo desaparecidos e as linhas do desenho surgiam deformadas e retorcidas. [...] A regra do senhor Palomar foi aos poucos se modificando: agora já desejava uma grande variedade de modelos, se possível transformáveis uns nos outros segundo um procedimento combinatório, para encontrar aquele que se adaptasse melhor a uma realidade que por sua vez fosse feita de tantas realidades distintas, no tempo e no espaço. [...] Analisando assim as coisas, o modelo dos modelos almejado por Palomar deverá servir para obter modelos transparentes, diáfanos, sutis como teias de aranha; talvez até mesmo para dissolver os modelos, ou até mesmo para dissolver-se a si próprio.
     Neste ponto só restava a Palomar apagar da mente os modelos e os modelos de modelos. Completado também esse passo, eis que ele se depara face a face com a realidade mal padronizável e não homogeneizável, formulando os seus “sins”, os seus “nãos”, os seus “mas”. Para fazer isto, melhor é que a mente permaneça desembaraçada, mobiliada apenas com a memória de fragmentos de experiências e de princípios subentendidos e não demonstráveis. Não é uma linha de conduta da qual possa extrair satisfações especiais, mas é a única que lhe parece praticável.

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Italo Calvino





      Ao ler o texto “O modelo dos modelos”, percebe-se a visão requintada que o senhor Palomar  trazia das pessoas. Ele tinha em mente um padrão exclusivo  em que as pessoas deveriam se  amoldar nele, um padrão único, completo e geometricamente admissível, esperava que todas as pessoas estivessem de acordo com esse protótipo.
       Porém ao analisar com outros olhos certas siluetas humanas seu Palomar percebe que nem todos vão se encaixar nos seus padrões, nos contornos dos seus “desenhos”. Ele entende que necessita modificar seus conceitos, adaptando-se aos seres humanos como eles são “cada um com sua particularidade” e não como ele desejava um “único padrão”.
     O mesmo acontece no dia-a-dia do AEE, onde já nos foram passados muitos instrumentos e modelos de como trabalhar com esse ou aquele aluno, direcionando o melhor meio de realizar os atendimentos e elaborar as atividades.
      Contudo não podemos nos esquecer que cada ser humano é único em suas necessidades e potencialidades, por isso é necessário fazer as adaptações imprescindíveis para trabalhar a individualidade de cada um.
      Devemos estar preparado para as mudanças que estão surgindo com a inclusão, com  reflexões  inovadoras e um olhar diferenciado sem medo do diferente com princípios norteadores e práticas pedagógicas que contribua para uma melhor aprendizagem dos nossos alunos.

Mantoan (2003) assim se expressa: “Os alunos não são virtuais, objetos categorizáveis. Eles existem de fato, são pessoas que provém de contextos culturais os mais variados, representam diferentes segmentos sociais, produzem e ampliam conhecimentos e têm desejos, aspirações, valores, sentimentos e costumes com os quais se identificam”.



MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Editora Moderna, 2003. 



domingo, 8 de junho de 2014

Recursos e Estratégias em Tecnologia para auxiliar alunos com TGD em seu desenvolvimento

Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD)

A partir da DSM-5  o Transtorno Global do Desenvolvimento passa a chamar-se Transtorno do Espectro Autista, inserido na categoria diagnóstica dosTranstornos de Neurodesenvolvimento. Que inclui, o transtorno autista (autismo), o transtorno de Asperger, o transtorno desintegrativo da infância e os transtornos invasivos do desenvolvimento sem outra especificação, conforme a DSM-5 (APA 2012).

O que é Transtorno do Espectro Autista?

Autismo é um transtorno global do desenvolvimento marcado por três características fundamentais:
  • Inabilidade para interagir socialmente;
  • Dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos;
  • Padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

O grau de comprometimento é de intensidade variável: vai desde quadros mais leves, como a síndrome de Asperger (na qual não há comprometimento da fala e da inteligência), até formas graves em que o paciente se mostra incapaz de manter qualquer tipo de contato interpessoal e é portador de comportamento agressivo e retardo mental.
Os estudos iniciais consideravam o transtorno resultado de dinâmica familiar problemática e de condições de ordem psicológica alteradas, hipótese que se mostrou improcedente. A tendência atual é admitir a existência de múltiplas causas para o autismo, entre eles, fatores genéticos e biológicos.

Sintomas
O autismo acomete pessoas de todas as classes sociais e etnias, mais os meninos do que as meninas. Os sintomas podem aparecer nos primeiros meses de vida, mas dificilmente são identificados precocemente. O mais comum é os sinais ficarem evidentes antes de a criança completar três anos. De acordo com o quadro clínico, eles podem ser divididos em 3 grupos:
  1. ausência completa de qualquer contato interpessoal, incapacidade de aprender a falar, incidência de movimentos estereotipados e repetitivos, deficiência mental;
  2. o portador é voltado para si mesmo, não estabelece contato visual com as pessoas nem com o ambiente; consegue falar, mas não usa a fala como ferramenta de comunicação (chega a repetir frases inteiras fora do contexto) e tem comprometimento da compreensão;
  3. domínio da linguagem, inteligência normal ou até superior, menor dificuldade de interação social que permite aos portadores levar vida próxima do normal.

Na adolescência e vida adulta, as manifestações do autismo dependem de como as pessoas conseguiram aprender as regras sociais e desenvolver comportamentos que favoreceram sua adaptação e auto-suficiência.

Esquematizando esses conceitos, ficaria assim:
Apesar de ser um grupo com características em comum, cada pessoa com autismo é única, pois cada um manifesta os sintomas de forma diferente. O mais importante é saber que antes de enxergarmos o autista temos que ver a pessoa na sua individualidade. Temos então, crianças tímidas e com autismo, teimosas e com autismo, calmas ou agitadas apesar do autismo. Definir o que é autismo e o que é da própria pessoa é difícil, mas não é necessário, se tratarmos a criança como tratamos as outras , principalmente se a tratarmos com carinho. Qualquer preconceito, medo, insegurança são percebidos por eles, não tenha dúvida.

ALGUMAS ORIENTAÇÕES  NECESSÁRIAS PARA  TRABALHAR:


NA  ESCOLA:


- Crianças com transtornos de desenvolvimento apresentam diferenças e merecem atenção com relação às áreas de interação social, comunicação e comportamento. Na escola, mesmo com tempos diferentes de aprendizagem, esses alunos devem ser incluídos em classes com os pares da mesma faixa etária.
- Estabelecer rotinas em grupo e ajudar o aluno a incorporar regras de convívio social são atitudes de extrema importância para garantir o desenvolvimento na escola. Boa parte dessas crianças precisa de ajuda na aprendizagem da auto-regulação.
- Apresentar as atividades do currículo visualmente é outra ação que ajuda no processo de aprendizagem desses alunos. Faça ajustes nas atividades sempre que necessário e conte com a ajuda do profissional responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE). Também cabe ao professor identificar as potências dos alunos. Invista em ações positivas, estimule a autonomia e faça o possível para conquistar a confiança da criança. Os alunos com TGD costumam procurar pessoas que sirvam como 'porto seguro' e encontrar essas pessoas na escola é fundamental para o desenvolvimento.



EM SALA DE AULA:


- Coloque o aluno com TEA perto de outro aluno mais comunicativo;
- Promova atividades em grupo e insira o aluno com TEA;
- Atente para o posicionamento deste em sala de aula, não o deixando em lugares propícios para dispersões e isolamento;
- Utilize recursos visuais e auditivos que facilitem a compreensão e direcionem o foco;
- Ensine o aluno com TEA a solicitar ajuda dos colegas;
- Atente-se às diferentes formas de comunicação, como por exemplo:
  * Gestual (expressões faciais e movimentos do corpo);
  * Vocalizações (choro, gritos, risos, “resmungos”, entre outros);
  * Gráfica (escrita, letras, logotipos); 
 * Silêncio. Até mesmo quando o aluno fica em silêncio diante uma determinada situação pode ser uma forma de comunicação;
  * Comportamentos estereotipados e/ou repetitivos: alunos com TEA podem apresentar comportamentos peculiares como forma de protesto.

- Escolha enunciados curtos e diretos;
- Utilize objetos e jogos manipuláveis;
- Utilize figuras de apoio que auxiliem na associação de ideias ou a transposição de conceitos para os mais variados contextos (ilustrados e/ou discutidos antecipadamente);
- Ofereça técnicas de estudo e deixe-o utilizar roteiros e/ou dicas extras;
- Utilize caixas de fichas para consulta (com fórmulas matemáticas, linhas do tempo, esquemas e desenhos explicativos); 
- Observe o aluno em diferentes contextos e situações da escola para verificar o que desencadeia uma oscilação de humor; 
- Antecipe conversação sobre as situações que causam desestrutura;
- Perceba o limiar de situação estressora para poder negociar;
- Perceba quando é falta de controle ou quando é um jogo de negociação da criança ou do jovem.

DICAS PARA PROFESSORES: 
- Certifique-se de que “o que” você está lidando é um Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). O professor não tem a tarefa de diagnosticar, mas deve questionar. 
- Seja paciente. Ministrar aula em uma sala onde há crianças com autismo pode ser um tanto cansativo, portanto procure ajuda de alguma pessoa com conhecimento que você possa recorrer se houver um problema (psicólogo, pedagogo, pediatra, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional).
- Elas precisam de ambientes e tarefas organizadas. Necessitam de instrumentos que as façam lembrar-se das coisas, previsões e repetições de tarefas e limites. Não complique para elas falando sem parar.
- Várias crianças com TEA são excelentes desenhistas, programadores de computador e artistas, entre outros. Encoraje esses talentos dando ênfase em seu desenvolvimento. Elas podem ter fixações em determinados assuntos como trens ou mapas por exemplo. Trabalhe de uma forma que use essas fixações como motivas para trabalhos escolares, usando no caso, os trens para ensiná-la cálculos.
- Preocupe-se mais com a qualidade do que com a quantidade dos deveres de casa. Crianças com TEA podem precisar de uma carga reduzida. Utilizarão o mesmo tempo de estudo e produzirão exatamente o que elas podem, nem mais, nem menos. 
- Habitue-se a dar retorno dos resultados obtidos por ela, isso ajudará a criança a se tornar auto observadora. Crianças com TEA geralmente não tem ideia de como estão indo e como se comportam aos olhos dos outros. Procure informá-las de um modo construtivo. Crianças com TEA normalmente respondem bem se incentivadas e recompensadas e muitas delas são pequenos empreendedores.
- Faça com que a criança se sinta envolvida nas atividades, isso a motivará. Faça muitos arranjos, separe pares ou até mesmo grupo de crianças que tenham uma boa relação junta. A criança com TEA precisa se sentir integrado.
- Dê a criança com TEA um tratamento normal, explique a turma para que se evite uma situação desagradável. Não a subestime, ela pode não estar olhando no momento, mas se não tem nenhum problema auditivo preste atenção no que fala diante dela. Nunca fale dela como se não fosse compreender isso pode provocar uma baixa estima e repugnância pelo ambiente escolar. Procure se reunir com os pais freqüentemente e não apenas para resolver crises e problemas.


IDÉIAS E SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA  TRABALHAR COM:

Atividade para desenvolver a cognição





Atividades envolvendo cores





Língua Portuguesa:
Alfabeto movel





Com essas atividades estamos treinando de forma lúdica o reconhecimento do alfabeto, atenção, concentração, coordenação motora e a percepção.
Dica: as letras podem ser substituídas por palavras ou imagens.

Matemática




Relógio de pano
O aluno aprende a ver a hora brincando.


Atividade envolvendo atenção e concentração.

Quebra-cabeça com palitos de sorvete e gravuras.



Atividades envolvendo associação






Atividades de sobreposição de formas geométricas








Brito, MC; Misquiatti, ARN. Transtornos do espectro do autismo e fonoaudiologia: atualização multiprofissional em saúde e educação. Curitiba: CRV, 2013.
Dr Dráuzio Varela, autismoerealidade.org › Informe-se › Sobre o Autismo
Maria Rosangela Bez - TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTIST - TEA




sexta-feira, 18 de abril de 2014

DIFERENÇA ENTRE SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA

SURDOCEGUEIRA

Surdocegueira é uma deficiência única em que o indivíduo apresenta ao mesmo tempo perda da visão e da audição. É considerado surdocego a pessoa que apresenta estas duas limitações, independente do grau das perdas auditiva e visual. A surdocegueira pode ser congênita ou adquirida e não é deficiência múltipla. Segundo o fascículo (AEE-DM), as pessoas surdocegas estão divididas em quatro categorias: pessoas que eram cegas e se tornaram surdas; que eram surdos e se tornaram cegos; pessoas que se tornaram surdocegos; pessoas que nasceram surdocegos, ou se tornaram surdocegos antes de terem aprendido alguma linguagem.


Aluno (menino com 10 anos) com surdocegueira total organizando o registro da situação vivenciada na escola por meio da confecção de uma maquete (refeitório da escola) com massinha,nesse registro das atividades realizadas no dia. O aluno cola miniaturas objetos escreve no sistema Braille as palavras que correspondem as atividades (Fonte: Ahimsa, 2006).

DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA

São consideradas pessoas com deficiência múltipla aquelas que "têm mais de uma deficiência associada. É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social"(MEC/SEESP, 2002).
As características específicas apresentadas pelas pessoas com deficiência múltipla lançam desafios à escola e aos profissionais que com elas trabalham no que diz respeito à elaboração de situações de aprendizagem a serem desenvolvidas para que sejam alcançados resultados positivos ao longo do processo de inclusão. 
Esses alunos constituem um grupo com características específicas e peculiares e, conseqüentemente, com necessidades únicas. Por isso, faz-se necessário dar atenção a dois aspectos importantes: comunicação e o posicionamento.

A criança com deficiência múltipla (baixa visão e problemas  neuromotores )  com quatro anos está posicionada na posição deitada de lado com  apoio da  calça da vovó(material confeccionado com uma calça jeans e diferentes materiais para enchimento (espuma,palha,tecidos), o brinquedo  é colocado a sua frente permitindo a manipulação alcance por estar no seu campo visual

NECESSIDADES BÁSICAS E ESPECÍFICAS DAS PESSOAS COM SURDOCEGUEIRA E COM  DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA

O corpo é a realidade mais imediata do ser humano. A partir e por meio dele, o homem descobre o mundo e a si mesmo.
Portanto, favorecer desenvolvimento do esquema corporal da pessoa com surdocegueira ou com deficiência múltipla é de extrema importância.
Para que a pessoa possa se auto perceber e perceber o mundo exterior, devemos buscara sua verticalidade, o equilíbrio postural, a articulação e a harmonização de seus movimentos; a autonomia em deslocamentos e movimentos; o aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e fina; e o desenvolvimento da força muscular.
As pessoas com surdocegueira e com deficiência múltipla, que não apresentam graves problemas motores, precisam aprender a usar as duas mãos. Isso para servir como tentativa de minorar as eventuais estereotipias motoras e pela necessidade do uso de ambas para o desenvolvimento de um sistema estruturado de comunicação.
Devido às dificuldades fonoarticulatórias, motoras ou mesmo neurológicas, é comum A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar Surdocegueira e Deficiência Múltipl11 Marcos Seesp -Mec Fasciculo V.qxd 28/10/2010 11:13 Page 11nessas pessoas algum tipo de limitação na comunicação e no processamento e elaboração das informações recolhidas do seu entorno. Isso pode resultar em prejuízos no processo de simbolização das experiências vividas, por acarretar carência de sentido para as mesmas.
Prioritariamente deve-se, portanto, disponibilizar recursos para favorecer a aquisição da linguagem estruturada no registro simbólico, tanto verbal quanto em outros registros, como o gestual, por exemplo.
Mesmo quando a deficiência predominante não é na área intelectual, todo trabalho com o aluno com deficiência múltipla e com surdocegueira  implica em constante interação com o meio ambiente. Este processo interacional é prejudicado quando as informações sensoriais e a organização do esquema corporal são deficitárias. Prever a estimulação e a organização desses meios de interação com o mundo deve fazer parte do Plano de AEE.

ESTRATEGIAS PARA SEREM UTILIZADAS NA AQUISIÇÃO DE COMUNICAÇÃO

A comunicação entre os seres humanos é um processo interpessoal por meio do qual se estabelecem vínculos com os outros; esta relação é estabelecida de diferentes maneiras e, segundo as possibilidades comunicativas de cada um, pode acontecer com movimentos do corpo, utilizando objetos do ambiente ou desenvolvendo um código lingüístico.
O uso de objetos reais é uma possibilidade que consiste em interpretar uma  atividade, ação ou situação por meio de um objeto, que adquire um valor simbólico. Por meio do uso dos objetos, a criança pode compreender e expressar as intenções comunicativas.
Em outras palavras, a comunicação é um ato intersubjetivo que acontece entre duas ou mais pessoas, onde há uma troca entre significados e sentidos. (Habermas, Jürgen.1991).
A comunicação acontece nas interações sociais e envolve a comunicação receptiva e expressiva;
A comunicação envolve a transmissão de informação e pode realizar-se por meio do uso de formas de
comunicação simbólicas ou não simbólicas (objetos, figuras, desenhos, sons, cores, gestos);
Estabelecer a necessidade para comunicar (é importante que a criança tenha uma razão para se comunicar);
Criar oportunidades para a criança poder se comunicar na rotina;
Aceitar, reforçar e valorizar os atos comunicativos usados pela criança;
Observar a forma, a função e as intenções comunicativas dos comportamentos comunicativos e descrevê-las cuidadosamente;
Analisar se há consistência na comunicação.


Os alunos Surdoscegos e com Deficiência Múltiplas  necessitam  e precisam usar uma variedade de formas e funções em diferentes ambientes para adquirir habilidades comunicativas necessárias para sobreviver no mundo real.

Referências Bibliográficas: 
Perspectiva da Inclusão Escolar Surdocegueira e Deficiência Múltipla - Fascículo 05
Comunicação para Pessoa com Surdocegueira.-  Tradução: Miriam Xavier de Oliveira (2004). - Revisão: Shirley Rodrigues Maia (2005). 

domingo, 9 de março de 2014

A inserção escolar para pessoas com surdez.

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2088) busca novas perspectivas em relação aos alunos com surdez na escola comum. Mudanças devem acontecer  que resultem em novas praticas de ensino e aprendizagem consistentes e produtivas para a educação de pessoas com surdez, nas escolas publicas e particulares.
A escola comum precisa de ações educacionais que atinjamos alunos em geral e que isto também seja compartilhado com os alunos com surdez. Mais do que uma língua as pessoas com surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores, que desfiem o pensamento e exercitem as capacidades cognitivas desses alunos.
A real educação inclusiva só acontecerá se houver uma mudança das ações educacionais, superando as visões até então existentes, respeitando a escola como um espaço de conflito, contradição e transformação.
Para acontecer a real inserção  de alunos com surdez em escola comum, na visão inclusiva, é superar a atual estrutura escolar e pensar seriamente a questão da formação de professores comuns e especializados .  
Temos que compreender as mudanças que estão ocorrendo no século xxI, saindo do nosso cotidiano e buscando um pensar histórico cultural em que as mudanças se referem a contextos, a espaços e à tempos reais, dinâmicos  e altamente complexos e diversificados.
Acredita-se na nova Política Nacional de Educação Especial, numa visão inclusiva, vendo os seres humanos iguais  na convivência, na experiência, nas relações nas interações; por sermos humanos .
 A pessoa com surdez não pode ser vista como deficiente e sim com limitações biológicas para essa função perceptiva. É um ser com consciência. Pensamento, enfim uma pessoa capaz bastando estimular e desenvolver suas potencialidades. Essa  diferença existente neste ser humano deve ser reconhecida e respeitada.

Esse ser humano precisa ser trabalhado no espaço escolar como um ser que possui uma deficiência, e que essa deficiência provoca uma diferença e limitações, que essa diferença e tais limitações devem ser reconhecidas e respeitadas, mas não podemos justificar o fracasso nessa questão, em virtude de cairmos na cilada da diferença, segundo ( PIERUCCI, 1999 )

No final da década de 70 surgiu a Proposta Bilíngüe de  Educação do Surdo.A proposta bilíngüe não privilegia uma língua, mas quer dar oportunidade ao individuo surdo de utilizar duas línguas, isto é mais uma forma de respeito, ele fará  a melhor escolha para si.
Para isso o AEE PS, tem como ponto de partida a compreensão e o reconhecimento do potencial e das capacidades desse ser humano. Pensando que na organização dos conteúdos curriculares estejam em simbiose as partes e o todo. Levando em conta desenvolver o ser humano em todos ao aspectos possíveis, assim o aluno com surdez se sentira situado e compreendera com mais facilidade os conteúdos em estudo .
Temos que nos unir em torno da inclusão e da garantia de uma educação especializada que possa apoiar os alunos com surdez na inserção  escolar pretendida.


Referencia bibliográfica.
DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. – Educação Escolar de Pessoas com Surdez – Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. P.46-57


domingo, 24 de novembro de 2013

Vídeo com Audiodescrição

A audiodescrição é o recurso que permite a inclusão de pessoas com deficiência visual em cinema, teatro e programas de televisão. No Brasil, segundo dados do IBGE, existem aproximadamente 16,5 milhões de pessoas com deficiência visual total e parcial, que se encontram excluídas da experiência audiovisual e ciência.

A acessibilidade nos meios de comunicação é um tema que está em pauta no mundo todo. Os esforços neste sentido visam não apenas proporcionar o acesso a produtos culturais a uma parcela da população que se encontra excluída, como também estabelecer um novo patamar de igualdade baseado na valorização da diversidade.


È muito importante termos novas tecnologias assistivas para nos permitir um melhor trabalho em se falando de inclusão. Em sala de aula o professor pode fazer uso dessa técnica visando ultrapassar a barreira do aluno cego. Entre  as tecnologias assistivas, temos a audiodescrição como um meio para a inclusão escolar, pois ele possibilita que o vídeo seja transformado em palavras, onde todas as cenas são descritas nos mínimos detalhes de forma informal, possibilitando ao aluno “enxergar” através das palavras de seu professor.

Fonte:



domingo, 20 de outubro de 2013

BRINCANDO TAMBÉM SE APRENDE

    Jogos, brinquedos e brincadeiras devem fazer parte como recursos pedagógicos no desenvolvimento de todos os alunos principalmente com deficiência intelectual.
       Assim como qualquer criança o educando com DI. também  faz parte do ambiente escolar,cabe a ela favorecer  um ambiente voltado a sua educação visando suas habilidades e não suas dificuldades, lembrando que o aluno DI. não é menos desenvolvida do que os alunos cria “normais”, porém é uma criança que se desenvolve de outra maneira, mais lentamente.
       Segundo PIAGET (1975), através da brincadeira, a criança se apropria de conhecimentos que possibilitarão sua ação sobre o meio em que se encontra. 
    Para VYGOTSKY (1998), as maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo, aquisições que no futuro tornar-se-ão seu nível básico de ação real e moralidade. 
        Tanto Piaget, quanto Vygotsky atribuíram ao brincar da criança um papel decisivo na evolução dos processos de desenvolvimento humano, como maturação e aprendizagem, embora com enfoques diferentes.
       Portanto educar através do lúdico contribui e influencia na formação da criança e do Adolescente com deficiência intelectual, o qual propicia um crescimento sadio, possibilitando sua, concentração, atenção e a elaboração do conhecimento, desenvolvendo ainda, a integração e a inclusão social.


SUGESTÃO DE JOGOS E BRINCADEIRAS


DOMINÓ DE NÚMEROS    


Estimula: 
  • Reconhecimento de numerais, noção de adição e de subtração, desenvolvimento do pensamento. 
Descrição: 
  • 28 cartelinhas de aproximadamente 6x12cm, com dois números em cada uma. Números de 0 a 9 (recortados de folhas de calendário) na quantidade de quatro de cada foram colados nas duas partes dos dominós, seguindo as mesmas características do jogo de dominó. 
Exploração:
  • Jogar como dominó, associando os números iguais. 
  • Mudar a regra do jogo e, ao invés de colocar números iguais, criar outra opção, por exemplo, somando mais dois ao número da cartela, ou subtraindo dois, etc.

HISTÓRIA EM QUADRINHOS 


Estimula: 
  • Pensamento lógico, seqüência lógica, atenção e concentração, estruturação tempo-espacial, discriminação visual e socialização. 
Descrição: 
  • Uma tira de cartolina com 7 cm de largura, riscada no sentido vertical, de 16 em16cm. Figuras selecionadas de revista em quadrinhos são colocadas em seqüência na tira de cartolina, para formar uma história, de acordo com o seguinte critério: uma figura é colada no meio do espaço de 16 cm, entre os dois riscos  verticais, e a figura seguinte é colada sobre o risco.Depois serão cortadas nos lugares onde foram traçados os riscos, separando a figura ao meio e interrompendo a seqüência. 
Exploração: 
  • Montar a seqüência da história juntando as figuras separadas pelo recorte. Narrar à história.

VAI VÉM


Estimula: 
  • Coordenação viso motora e noções de alternância e distância. 
Descrição: 
  • Garrafas plásticas descartáveis, cordão, argolas e durex colorido. Cortar duas garrafas ao meio, juntar as partes cortadas, colar com durex colorido. Passar dois fios (+ 3 m) por dentro das garrafas. Amarrar argolas nas quatro extremidades. 
Exploração: 
  • O vaivém é um jogo de duplas, em que a criança segura às extremidades do cordão e uma delas dá um impulso abrindo os braços, jogando o objeto para o outro.

PASSA BOLINHA 


Estimula: 
  • Motricidade, concentração, atenção, coordenação viso motora. 
Descrição:
  • Três garrafas de plástico transparente; em duas foi retirado o fundo para poderem ser encaixadas umas nas outras. Dentro delas foram colocadas três bolinhas de gude, e no topo das garrafas encaixadas, foi colocado o fundo de uma delas. As garrafas foram fixadas com durex colorido. 
Exploração: 
  • Sacudir as garrafas de modo que as bolinhas passem pelo gargalo e vão para o fundo da última garrafa. Contar quanto tempo leva para conseguir passar as três bolinhas.




Referência:
Mafra, Sônia Regina Corrêa - O Lúdico e o Desenvolvimento da Criança Deficiente Intelectual - 2008












terça-feira, 3 de setembro de 2013

TECNOLOGIA ASSISTIVA


      A tecnologia assistiva é uma área do conhecimento e de atuação que desenvolve serviços, recursos, e estratégias que auxiliam na resolução de dificuldades funcionais das pessoas com deficiência na realização de suas tarefas.
      Ainda de acordo com Rita Bersch, fazer TA na escola é buscar, com criatividade, uma alternativa para que o aluno realize o que deseja ou precisa. É encontrar uma estratégia para que ele possa fazer de outro jeito. É valorizar o seu jeito de fazer e aumentar suas  capacidades de ação e interação a partir de suas habilidades. É conhecer e criar  novas alternativas para a comunicação, escrita, mobilidade, leitura, brincadeiras, arte, utilização de materiais escolares e pedagógicos, exploração e produção de temas através do computador, etc. É envolver o aluno ativamente, desafiando-se a experimentar e conhecer,permitindo que construa individual  e coletivamente novos conhecimentos. É retirar do aluno o papel de expectador e atribuir-lhe a função de ator. (Capitulo III- Tecnologia Assistiva- Ta, Atendimento Educacional Especializado p.31)

    As fotos mostram o aluno trabalhando com um mouse adaptado, onde é possível movimentar o cursor sem o mouse adaptado sair do lugar, pois o mesmo está preso com velcro macho e fêmea que dá perfeita precisão da apreensão do mouse, o aluno pode fazer os movimentos da maneira que melhor lhe convier sem tirar o mouse do lugar, esse aciona através do botão amarelo "cursor" que direciona tanto para a direita quanto para a esquerda, para cima e para baixo, até o aluno chegar no objetivo da atividade e com os botões azuis ao lado seleciona o desenho ou a atividade de seu interesse, ou até mesmo  acerto da atividade proposta, finalizando-a.
    Esse tipo de mouse é muito usado para pessoas portadoras de deficiência física e múltipla.
                   







TECNOLOGIAS ASSISTIVAS

Mouse Especial com Esfera Gigante

Pessoas com: deficiência física, deficiência múltiplas.

Modelo: Big Ball Mouse - (BM-88)

Finalidade:
Substitui ou mouse convencional utilizando esfera de rodagem na parte superior da base que possibilita o movimento do cursor na tela para todas direções, usa tecnologia totalmente optica para o rastreio da bola, e não mais o antigo sistema opta-mecânico, propiciando assim melhor precisão nos movimentos e maior durabilidade do conjunto.

Categoria ISO 9999:2007:
22 36 06 Dispositivos tipo mouse
Este produto está disponível em tamanho único.

Cor
Bege texturizado (Branco Computador)

Material
Caixa plástica, injetada em ABS, sem aresta, sem cantos vivos extremamente robusta

Peso
0,984 Kg

Dimensões
Altura 8,5 x 22 cm diâmetro

Outras Características Importantes

- Interface PS2 ou USB com uso do adaptador já incluso no produto; 
- Pode ser ligado em qualquer computador como um mouse convencional;
- Instalação : Plug and play, ao conectar já esta operando;
- 5 teclas coloridas, em baixo relevo, tipo colméia natural, posicionadas de maneira a evitar acionamentos indevidos, perfazendo as funções de :
- Click - mesma função igual do mouse convencional;
- Trava click - facilita a função de segurar e arrastar ícones com a bola;
- Duplo click - automaticamente, com apenas 1 acionamento;
- Trava scroll - facilita a função de executar rolamentos e navegação com bola;
- Tecla direita - mesma função do mouse convencional.
- 2 (duas) entradas tipo jack P2 mono, para acionadores externos (opcionais) perfazendo as mesmas funções do click e tecla direita;

Empresa/Instituição:
Terra Eletrônica

Fabricante:
Terra Eletrônica

Distribuidor:
Terra Eletrônica

Outra(s) informação(ões) sobre o produto que a empresa/instituição considera importante:

- Esfera Gigante colorida com 70 mm de diâmetro, para maior conforto e precisão nos movimentos;
- Leds indicativos de click, duplo click, trava click, trava scroll;
- Possibilidade de configuração de alguns parâmetros, como a velocidade da bola, visando adequar o movimento do cursor na tela, com as possibilidades motoras do usuário;
- Base anti - derrapante, propiciando, excelente estabilidade do mouse;
-Tipo "Tipo Tracking Balls"

A empresa/instituição fornece assistência técnica para eventuais adaptações dos produtos:
Sim, Garantia de 1 ano

Observações gerais do produto:
Desing moderno ergonômico e elegante.



Mouse adaptado

Pessoas com: deficiência física, deficiência multiplas

Modelo: Mouse +

Finalidade:
Mouse adaptado, para receber 1 (um) ou 2 (dois) acionadores especiais que funcionam como as teclas "CLICK" e a "direita", facilitando o uso do mouse e permitindo exercícios motores.

Categoria ISO 9999:2007:
22 36 06 Dispositivos tipo mouse

Empresa/Instituição:
Terra Eletrônica

Fabricante:
Terra Eletrônica

Distribuidor:
Terra Eletrônica

A empresa/instituição fornece assistência técnica para eventuais adaptações dos produtos:

* Garantia por 1 (um) ano 
* Assistência técnica permanente

Observações gerais do produto:

* Funciona em qualquer computador usando INTERFACE USB 2.0
* Entrada USB 2.0 que possibilita continuar usando o mouse convencional com o roller mouse