Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD)
A partir da DSM-5 o Transtorno Global do Desenvolvimento passa a chamar-se Transtorno do Espectro Autista, inserido na categoria diagnóstica dosTranstornos de Neurodesenvolvimento. Que inclui, o transtorno autista (autismo), o transtorno de Asperger, o transtorno desintegrativo da infância e os transtornos invasivos do desenvolvimento sem outra especificação, conforme a DSM-5 (APA 2012).
A partir da DSM-5 o Transtorno Global do Desenvolvimento passa a chamar-se Transtorno do Espectro Autista, inserido na categoria diagnóstica dosTranstornos de Neurodesenvolvimento. Que inclui, o transtorno autista (autismo), o transtorno de Asperger, o transtorno desintegrativo da infância e os transtornos invasivos do desenvolvimento sem outra especificação, conforme a DSM-5 (APA 2012).
O que é Transtorno do Espectro Autista?
Autismo é um transtorno global do desenvolvimento marcado por três características fundamentais:
- Inabilidade para interagir socialmente;
- Dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos;
- Padrão de comportamento restritivo e repetitivo.
O grau de comprometimento é de intensidade variável: vai desde quadros mais leves, como a síndrome de Asperger (na qual não há comprometimento da fala e da inteligência), até formas graves em que o paciente se mostra incapaz de manter qualquer tipo de contato interpessoal e é portador de comportamento agressivo e retardo mental.
Os estudos iniciais consideravam o transtorno resultado de dinâmica familiar problemática e de condições de ordem psicológica alteradas, hipótese que se mostrou improcedente. A tendência atual é admitir a existência de múltiplas causas para o autismo, entre eles, fatores genéticos e biológicos.
Sintomas
O autismo acomete pessoas de todas as classes sociais e etnias, mais os meninos do que as meninas. Os sintomas podem aparecer nos primeiros meses de vida, mas dificilmente são identificados precocemente. O mais comum é os sinais ficarem evidentes antes de a criança completar três anos. De acordo com o quadro clínico, eles podem ser divididos em 3 grupos:
- ausência completa de qualquer contato interpessoal, incapacidade de aprender a falar, incidência de movimentos estereotipados e repetitivos, deficiência mental;
- o portador é voltado para si mesmo, não estabelece contato visual com as pessoas nem com o ambiente; consegue falar, mas não usa a fala como ferramenta de comunicação (chega a repetir frases inteiras fora do contexto) e tem comprometimento da compreensão;
- domínio da linguagem, inteligência normal ou até superior, menor dificuldade de interação social que permite aos portadores levar vida próxima do normal.
Na adolescência e vida adulta, as manifestações do autismo dependem de como as pessoas conseguiram aprender as regras sociais e desenvolver comportamentos que favoreceram sua adaptação e auto-suficiência.
Esquematizando esses conceitos, ficaria assim:
Apesar de ser um grupo com características em comum, cada pessoa com autismo é única, pois cada um manifesta os sintomas de forma diferente. O mais importante é saber que antes de enxergarmos o autista temos que ver a pessoa na sua individualidade. Temos então, crianças tímidas e com autismo, teimosas e com autismo, calmas ou agitadas apesar do autismo. Definir o que é autismo e o que é da própria pessoa é difícil, mas não é necessário, se tratarmos a criança como tratamos as outras , principalmente se a tratarmos com carinho. Qualquer preconceito, medo, insegurança são percebidos por eles, não tenha dúvida.
ALGUMAS ORIENTAÇÕES NECESSÁRIAS PARA TRABALHAR:
NA ESCOLA:
- Crianças com transtornos de desenvolvimento apresentam diferenças e merecem atenção com relação às áreas de interação social, comunicação e comportamento. Na escola, mesmo com tempos diferentes de aprendizagem, esses alunos devem ser incluídos em classes com os pares da mesma faixa etária.
- Estabelecer rotinas em grupo e ajudar o aluno a incorporar regras de convívio social são atitudes de extrema importância para garantir o desenvolvimento na escola. Boa parte dessas crianças precisa de ajuda na aprendizagem da auto-regulação.
- Apresentar as atividades do currículo visualmente é outra ação que ajuda no processo de aprendizagem desses alunos. Faça ajustes nas atividades sempre que necessário e conte com a ajuda do profissional responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE). Também cabe ao professor identificar as potências dos alunos. Invista em ações positivas, estimule a autonomia e faça o possível para conquistar a confiança da criança. Os alunos com TGD costumam procurar pessoas que sirvam como 'porto seguro' e encontrar essas pessoas na escola é fundamental para o desenvolvimento.
EM SALA DE AULA:
- Coloque o aluno com TEA perto de outro aluno mais comunicativo;
- Promova atividades em grupo e insira o aluno com TEA;
- Atente para o posicionamento deste em sala de aula, não o deixando em lugares propícios para dispersões e isolamento;
- Utilize recursos visuais e auditivos que facilitem a compreensão e direcionem o foco;
- Ensine o aluno com TEA a solicitar ajuda dos colegas;
- Atente-se às diferentes formas de comunicação, como por exemplo:
* Gestual (expressões faciais e movimentos do corpo);
* Vocalizações (choro, gritos, risos, “resmungos”, entre outros);
* Gráfica (escrita, letras, logotipos);
* Silêncio. Até mesmo quando o aluno fica em silêncio diante uma determinada situação pode ser uma forma de comunicação;
* Comportamentos estereotipados e/ou repetitivos: alunos com TEA podem apresentar comportamentos peculiares como forma de protesto.
- Escolha enunciados curtos e diretos;
- Utilize objetos e jogos manipuláveis;
- Utilize figuras de apoio que auxiliem na associação de ideias ou a transposição de conceitos para os mais variados contextos (ilustrados e/ou discutidos antecipadamente);
- Ofereça técnicas de estudo e deixe-o utilizar roteiros e/ou dicas extras;
- Utilize caixas de fichas para consulta (com fórmulas matemáticas, linhas do tempo, esquemas e desenhos explicativos);
- Observe o aluno em diferentes contextos e situações da escola para verificar o que desencadeia uma oscilação de humor;
- Antecipe conversação sobre as situações que causam desestrutura;
- Perceba o limiar de situação estressora para poder negociar;
- Perceba quando é falta de controle ou quando é um jogo de negociação da criança ou do jovem.
DICAS PARA PROFESSORES:
- Certifique-se de que “o que” você está lidando é um Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). O professor não tem a tarefa de diagnosticar, mas deve questionar.
- Seja paciente. Ministrar aula em uma sala onde há crianças com autismo pode ser um tanto cansativo, portanto procure ajuda de alguma pessoa com conhecimento que você possa recorrer se houver um problema (psicólogo, pedagogo, pediatra, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional).
- Elas precisam de ambientes e tarefas organizadas. Necessitam de instrumentos que as façam lembrar-se das coisas, previsões e repetições de tarefas e limites. Não complique para elas falando sem parar.
- Várias crianças com TEA são excelentes desenhistas, programadores de computador e artistas, entre outros. Encoraje esses talentos dando ênfase em seu desenvolvimento. Elas podem ter fixações em determinados assuntos como trens ou mapas por exemplo. Trabalhe de uma forma que use essas fixações como motivas para trabalhos escolares, usando no caso, os trens para ensiná-la cálculos.
- Preocupe-se mais com a qualidade do que com a quantidade dos deveres de casa. Crianças com TEA podem precisar de uma carga reduzida. Utilizarão o mesmo tempo de estudo e produzirão exatamente o que elas podem, nem mais, nem menos.
- Habitue-se a dar retorno dos resultados obtidos por ela, isso ajudará a criança a se tornar auto observadora. Crianças com TEA geralmente não tem ideia de como estão indo e como se comportam aos olhos dos outros. Procure informá-las de um modo construtivo. Crianças com TEA normalmente respondem bem se incentivadas e recompensadas e muitas delas são pequenos empreendedores.
- Faça com que a criança se sinta envolvida nas atividades, isso a motivará. Faça muitos arranjos, separe pares ou até mesmo grupo de crianças que tenham uma boa relação junta. A criança com TEA precisa se sentir integrado.
- Dê a criança com TEA um tratamento normal, explique a turma para que se evite uma situação desagradável. Não a subestime, ela pode não estar olhando no momento, mas se não tem nenhum problema auditivo preste atenção no que fala diante dela. Nunca fale dela como se não fosse compreender isso pode provocar uma baixa estima e repugnância pelo ambiente escolar. Procure se reunir com os pais freqüentemente e não apenas para resolver crises e problemas.
IDÉIAS E SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA TRABALHAR COM:
Atividade para desenvolver a cognição
Atividades envolvendo cores
Língua Portuguesa:
Alfabeto movel
Com essas atividades estamos treinando de forma lúdica o reconhecimento do alfabeto, atenção, concentração, coordenação motora e a percepção.
Dica: as letras podem ser substituídas por palavras ou imagens.
Matemática
Relógio de pano
O aluno aprende a ver a hora brincando.
Atividades envolvendo associação
Atividades de sobreposição
de formas geométricas
Brito, MC; Misquiatti, ARN. Transtornos do espectro do autismo e fonoaudiologia: atualização multiprofissional em saúde e educação. Curitiba: CRV, 2013.
Dr Dráuzio Varela, autismoerealidade.org › Informe-se › Sobre o Autismo
Maria Rosangela Bez - TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTIST - TEA

















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