segunda-feira, 23 de junho de 2014

“O modelo dos modelos”

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     Houve na vida do senhor Palomar uma época em que sua regra era esta: primeiro, construir um modelo na mente, o mais perfeito, lógico, geométrico possível; segundo, verificar se tal modelo se adapta aos casos práticos observáveis na experiência; terceiro, proceder às correções necessárias para que modelo e realidade coincidam. [..] Mas se por um instante ele deixava de fixar a harmoniosa figura geométrica desenhada no céu dos modelos ideais, saltava a seus olhos uma paisagem humana em que a monstruosidade e os desastres não eram de todo desaparecidos e as linhas do desenho surgiam deformadas e retorcidas. [...] A regra do senhor Palomar foi aos poucos se modificando: agora já desejava uma grande variedade de modelos, se possível transformáveis uns nos outros segundo um procedimento combinatório, para encontrar aquele que se adaptasse melhor a uma realidade que por sua vez fosse feita de tantas realidades distintas, no tempo e no espaço. [...] Analisando assim as coisas, o modelo dos modelos almejado por Palomar deverá servir para obter modelos transparentes, diáfanos, sutis como teias de aranha; talvez até mesmo para dissolver os modelos, ou até mesmo para dissolver-se a si próprio.
     Neste ponto só restava a Palomar apagar da mente os modelos e os modelos de modelos. Completado também esse passo, eis que ele se depara face a face com a realidade mal padronizável e não homogeneizável, formulando os seus “sins”, os seus “nãos”, os seus “mas”. Para fazer isto, melhor é que a mente permaneça desembaraçada, mobiliada apenas com a memória de fragmentos de experiências e de princípios subentendidos e não demonstráveis. Não é uma linha de conduta da qual possa extrair satisfações especiais, mas é a única que lhe parece praticável.

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Italo Calvino





      Ao ler o texto “O modelo dos modelos”, percebe-se a visão requintada que o senhor Palomar  trazia das pessoas. Ele tinha em mente um padrão exclusivo  em que as pessoas deveriam se  amoldar nele, um padrão único, completo e geometricamente admissível, esperava que todas as pessoas estivessem de acordo com esse protótipo.
       Porém ao analisar com outros olhos certas siluetas humanas seu Palomar percebe que nem todos vão se encaixar nos seus padrões, nos contornos dos seus “desenhos”. Ele entende que necessita modificar seus conceitos, adaptando-se aos seres humanos como eles são “cada um com sua particularidade” e não como ele desejava um “único padrão”.
     O mesmo acontece no dia-a-dia do AEE, onde já nos foram passados muitos instrumentos e modelos de como trabalhar com esse ou aquele aluno, direcionando o melhor meio de realizar os atendimentos e elaborar as atividades.
      Contudo não podemos nos esquecer que cada ser humano é único em suas necessidades e potencialidades, por isso é necessário fazer as adaptações imprescindíveis para trabalhar a individualidade de cada um.
      Devemos estar preparado para as mudanças que estão surgindo com a inclusão, com  reflexões  inovadoras e um olhar diferenciado sem medo do diferente com princípios norteadores e práticas pedagógicas que contribua para uma melhor aprendizagem dos nossos alunos.

Mantoan (2003) assim se expressa: “Os alunos não são virtuais, objetos categorizáveis. Eles existem de fato, são pessoas que provém de contextos culturais os mais variados, representam diferentes segmentos sociais, produzem e ampliam conhecimentos e têm desejos, aspirações, valores, sentimentos e costumes com os quais se identificam”.



MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Editora Moderna, 2003. 



Um comentário:

  1. Rozemari

    Realmente devemos estar preparados para as mudanças e para isso temos que estar em constante formação para nos aperfeiçoarmos e propor um ensino de qualidades para nossos alunos.

    Abraços!!!!!!!!!

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